Nota #121


Eu registrava já meu terceiro livro de poemas que não venderia nada. Assim como meus contos que jamais se classificaram em qualquer concurso literário. Objetivava escrever um romance, mas me faltava o desejo romântico de me apegar a uma historia um personagem. E a garota que havia transado comigo há duas semanas, andava me ligando, mas eu não queria me envolver. Não é fácil ver a idade avançar, se olhar no espelho e ver um aspirante a velho sem qualquer perspectiva de sucesso. Então, sorrir, beber e fingir que a vida é uma festa, serve pra enrolar um pouco, mas a realidade sempre acaba voltando quando você se olha no espelho pela manhã! Eu poderia foder meio mundo que continuaria me vendo como um fracassado. Eu fazia o que gostava, mas ninguém gostava do que eu fazia. A vida não era ingrata comigo, eu que fui ingrato com as oportunidades oferecidas. Talvez o fato de ser antissocial, de não gostar de aparecer. Você tem que divulgar, era o que me diziam, mas eu nunca o fazia. Na verdade, tinha um pouco de vergonha, eu acho. Transava com garotas que sequer sabiam o que eu fazia da vida. Aliás, nunca lhes perguntava o que faziam da vida, para evitar que me perguntassem o mesmo. Garotos, muito mais jovens que eu, estavam se dando bem. Teve até um escritor de merda, um garoto, que apareceu na TV e tudo. Ele admitiu que já se usou de poemas pra conquistar garotas. Achei a ideia mais estupida do mundo, mas acabei tentando fazer o mesmo na noite seguinte. Era uma garota bêbada e teria transado comigo independente do que eu dissesse. Acho que foi a única vez que fiz isso. Acredito ser um artifício desnecessário, me sinto um robozinho ridículo ao recitar versos. Muitas coisas nessa minha vida são inconclusas...

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